Notícia Publicada em 23 de março de 2018

“Uma nova missão MSC”

MOÇAMBIQUE

Meluco, um nome que soa um pouco diferente para nós brasileiros, mas a grafia está correta, não é maluco, não. Malucos poderíamos ser nós os missionários, mas creio que também não somos tanto assim. Pelo contrário, somos agraciados por Deus com esta sua misericordiosa escolha.

Bem, na verdade, Meluco é um Distrito de Cabo Delgado, situado a mais ou menos 220 km da sede da diocese de Pemba. Pemba é capital de Cabo Delgado que é uma Província de Moçambique.
Nunca algum Padre ou religioso residiu neste local, até dia 18 de março deste ano. Trata-se de um distrito de mais ou menos 25 mil habitantes espalhados por muitas aldeias.
Agora, sob a proteção de Nossa senhora e São José, fomos apresentados ao povo como os novos residentes desta terra. Afinal, o evangelho nos atesta que o Verbo feito carne, nos braços de Maria e José, chegou à África, fugindo de Herodes. Hoje, ainda, com inúmeros rostos, “Herodes” insiste em não deixar de perseguir os inocentes, principalmente, nesta terras.
Foi uma celebração emocionante e vibrante, o senhor bispo, dom Luís Fernando, acompanhando de vários missionários e missionárias, de nosso Provincial, padre Edvaldo, e do Superior Geral, Pe. Mário Absalon, apresentou os novos missionários, Pe. Cortez e Pe. Eduardo, e entregou à Congregação dos Missionários do Sagrado Coração a área missionária de Meluco, Quissanga e Ibo.

São três distritos bem ao norte do país.

São 140 quilometros de terra e buracos entre Meluco e Quissanga. Já para Ibo e outras dezenas de ilhas, algumas horas pelo oceano Índico, através das rústicas embarcações que singram lotadas para águas mais profundas em busca dos insulanos. .

A população em sua grande maioria não é cristã. Faremos a experiência de ser minoria e de ter como escudo a fé no Senhor e a única arma o diálogo. Os poucos cristãos estavam a muito tempo quase sem assistência e muito ainda não conhecem Jesus Cristo e o seu Reino.

Não sabemos como e nem teremos receitas para evangelizar. Temos apenas, nesse momento, o desejo de aprender e de conhecer a ação do Espírito que age. Deixemos a providência nos conduzir. O Senhor fará maravilhas por nós e, com certeza, muito mais, apesar de nós!

O povo, na maioria, não fala o português, mas Macua, Marcondes e outros dialetos tribais. Porém, o sorriso e a alegria falam de uma resistência inexplicável diante do sofrimento imposta a esse gente por séculos. Essa linguagem de fé e resistência não precisa de tradução, grita ao coração.

Crianças e jovens parecem brotar da terra como sementes que nascem em tempos de chuvas. Porém, infelizmente, muitas não conseguem desabrochar na vida e em suas oportunidades.
Olhando para tudo isso, a gente se pergunta, com os olhos molhados de sentimento de impotência, pelo que se vê e não consegue entender o porquê dessa situação. Se não temos respostas, calamos e não desesperamos, pois a resistência do povo grita, através do sorriso, da dança e da sede de um mundo que está por vir. Essa resistência parece criar um horizonte que a razão não pode ver, mas só a fé pode tocar.

Ainda não temos casa, móveis nem o mínimo para começar, porém, pouco a pouco, com a bondade de Deus e a ajuda de irmãos e irmãs que crêem que o amor não tem fronteiras é que temos a certeza que nada será obstáculo fatal. Aliás, temos muita confiança no que sempre repetia o nosso fundador, Padre Chevalier: “Quando Deus quer uma obra, os obstáculos são meios.”
Aqui, estamos, fazendo uma experiência de alegria e de despojamento. Deus é nossa força!

É hora de “parto”. Sim, tempo de “nascer de novo”!

Pe. Benedito Ângelo Cortez, msc

Fonte: Portal MSC