Notícia Publicada em 10 de novembro de 2013

O Ano da Fé e a liturgia de Cristo Rei do Universo

O Ano da Fé, proclamado pelo Papa Bento XVI, está chegando ao fim. Teve seu início em 11 de outubro de 2012, data que marcava os cinquenta anos de abertura do Concílio Vaticano II. Após quase sessenta semanas de atividades em todo o mundo, vai encerrar-se no dia 24 de novembro próximo, na solenidade litúrgica de Cristo Rei do Universo.

Com o documento “Porta fidei”, Motu proprio (por vontade própria), o então Pontífice proclamou o Ano da Fé, colocando a Virgem Maria, Mãe de Jesus, como modelo da fé pessoal e eclesial: “Maria é feliz porque acreditou” (Lc 1,45), lembrou o Papa. E lembrou também a palavra do apóstolo Paulo a seu discípulo Timóteo: “Eu sei em quem pus a minha fé” (2 Tm 1, 12), desejando que todos nós pudéssemos repetir o mesmo com idêntica convicção. Lembrou, também, as palavras do primeiro Papa, quando disse: “Estejais sempre prontos a dar a razão da vossa fé a quem vo-la pedir” (1Pd 3,15).

Por trás da proclamação do Ano da Fé, da necessidade de tal atitude pastoral, podemos deduzir que a fé está em baixa vivência, sobretudo a fé cristã na Europa, principalmente. Aquela que foi a cristianizadora do Novo Mundo passa por uma crise de evasão de fiéis, o que levou o Papa João Paulo II chamar a Igreja, no início dos anos 90, do século passado, a fazer uma “nova evangelização”: nova em seus métodos e nova em seu conteúdo.

Muitos têm sido os valores que motivam a vida e a ação das pessoas. Não se pode dizer que nossa cultura tem seus valores alicerçados nos dogmas e princípios cristãos. Uma onda de ateísmo ou secularista tem crescido na Europa e em nosso meio. Tal crise europeia já fora detectada pelo pensador Otto Petras (1879-1967), pois em 1935 já falava de uma “era pós-cristã” no Velho Continente.

O Papa Francisco, consciente de sua missão como sucessor de Pedro e primeiro servidor da Igreja, tem chamado a todos para uma vivência mais autêntica da fé, e tem feito isso com seu exemplo pessoal. Ele sabe que a fé não é transmitida através dos ensinamentos de ideias ou conceitos, mas só contagia a partir dos exemplos daqueles que vivem e pregam o que vivem.

Que Cristo Rei do Universo, que conhece nossos corações, acenda em nós a chama de uma fé viva e contagiante.

Padre Ismar Dias de Matos
Colunista do Portal Ecclesia.
Diocese de Guanhães (MG). Mestre em filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Professor de filosofia e cultura religiosa na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.